O documentário “Nem Tudo é Paz e Amor”, dirigido por Betão Aguiar, apresenta uma jornada emocional e reflexiva sobre a infância e a herança cultural dos filhos da contracultura dos anos 1970 no Brasil. Com participações de nomes como Moreno Veloso, Nara Gil, Sarah Sheeva, Beto Lee e Anelis Assumpção, o filme mergulha nas memórias e dinâmicas familiares dessas personalidades, explorando como a liberdade, a psicodelia e a efervescência artística da época influenciaram suas vidas. Betão Aguiar, que é filho da escritora e produtora Marília Aguiar e de Paulinho Boca de Cantor, um dos pilares fundamentais do grupo Novos Baianos, traz uma perspectiva pessoal e íntima, revisitando episódios extraordinários e traumas que marcaram sua infância e a de seus entrevistados. O filme é uma conversa aberta que ajuda a contar a história de uma geração que cresceu no contexto da contracultura e suas revoluções artísticas e comportamentais.
O documentário apresenta um elenco diversificado e talentoso, com participações de artistas que vivenciaram a contracultura dos anos 1970 de forma intensa. Moreno Veloso, filho de Caetano Veloso, e Nara Gil, filha de Gilberto Gil, compartilham suas experiências e percepções sobre crescer em um ambiente de liberdade e criatividade. Sarah Sheeva, Beto Lee e Anelis Assumpção também contribuem com suas histórias e reflexões, criando um tecido rico e complexo de narrativas que exploram as nuances da contracultura e seu legado. A direção de Betão Aguiar é sensível e respeitosa, permitindo que os entrevistados se expressem de forma autêntica e emocional, sem medo de compartilhar seus traumas e maravilhas. O filme também destaca a importância da música e da ironia como antídotos contra a nostalgia histórica, criando um tom leve e humano que facilita a conexão do público com as histórias contadas.
A realização do documentário foi possível graças à parceria entre a Casa Redonda e a Zapipa Produções, com recursos provenientes da Ancine via FSA e BRDE. A ideia original do filme é de Jasmin Pinho, amiga de adolescência de Betão Aguiar, que faleceu em 2020. O documentário integra a Mostra B, uma plataforma que valoriza a diversidade e a criatividade cinematográfica. Com sua abordagem única e pessoal, “Nem Tudo é Paz e Amor” é um filme que convida o público a refletir sobre a contracultura e seu impacto nas vidas das pessoas que a vivenciaram, bem como sobre a importância de preservar a memória e a história de uma geração que mudou o Brasil. O filme é uma contribuição significativa para a compreensão da cultura brasileira e seu desenvolvimento ao longo dos anos, e pode ser apreciado por todos aqueles que se interessam pela música, pela arte e pela história do país.
O valor principal do documentário “Nem Tudo é Paz e Amor” reside em sua capacidade de criar uma conexão emocional e reflexiva entre o público e as histórias contadas, permitindo que as pessoas sejam tocadas pela beleza e pela complexidade da contracultura dos anos 1970. O filme é um testemunho vivo da criatividade e da resistência de uma geração que lutou por liberdade e autonomia, e que continua a inspirar e a influenciar a cultura brasileira contemporânea. Com sua abordagem sensível e respeitosa, Betão Aguiar cria um espaço para que as histórias sejam compartilhadas e preservadas, permitindo que o público possa aprender e se inspirar com a coragem e a criatividade das pessoas que viveram aquela época.