A influenciadora e advogada Deolane Bezerra afirmou em uma carta divulgada nas redes sociais que está sendo alvo de “pura perseguição” das autoridades há mais de cinco anos. Ela foi presa preventivamente na última quinta-feira em um condomínio de luxo no interior de São Paulo sob suspeita de lavagem de dinheiro e associação ao crime organizado. Deolane negou ter qualquer relação com o crime organizado e afirmou que seus ganhos nas redes sociais são resultado de sua carreira como empresária, influenciadora e advogada. Esta é a segunda vez que ela é presa sob suspeita de participações em esquemas de lavagem de dinheiro e supostas ligações ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com as investigações, a facção usava uma transportadora de cargas como empresa de fachada para movimentar recursos da facção criminosa. As autoridades apontam que Deolane teria recebido depósitos fracionados entre 2018 e 2021 para dificultar o rastreamento bancário. A influenciadora também é acusada de manter vínculos pessoais e comerciais com investigados apontados como operadores financeiros do esquema. A Justiça determinou o bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões, além do sequestro de 17 veículos – incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões – e quatro imóveis ligados aos investigados.
A carta de Deolane foi divulgada nas redes sociais de sua irmã e é seu primeiro pronunciamento desde a prisão. Nela, a influenciadora afirma que seu papel como “formadora de opinião” foi o motivo que a colocou na mira das autoridades. Deolane também se emocionou durante uma audiência de custódia e afirmou que é uma mãe, empresária e advogada que segue de cabeça erguida acreditando na Justiça. A penitenciária onde ela está detida precisa seguir exigências padrão para receber Deolane, que é uma influenciadora digital com grande número de seguidores.
A prisão de Deolane é resultado de uma investigação que começou em 2019, quando análises financeiras identificaram movimentações consideradas suspeitas em contas pessoais e empresariais ligadas a ela. As autoridades realizaram seis prisões no âmbito da investigação, que aponta para um esquema de lavagem de dinheiro e associação ao crime organizado. O Primeiro Comando da Capital (PCC) é uma das principais facções criminosas do Brasil e é suspeito de envolvimento em diversos crimes, incluindo lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.