Professores da Universidade de São Paulo (USP) decidiram aderir à greve em assembleias realizadas nos campi do Butantã, São Carlos, Pirassununga, Ribeirão Preto e Piracicaba. A paralisação ocorre em meio à greve dos estudantes, que já dura cinco semanas, e tem como principal motivo a campanha salarial das universidades estaduais paulistas. Os docentes reivindicicam reajuste salarial acima do proposto pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (**Cruesp**), que é de 3,47%, baseado na inflação medida pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (**Fipe**). A decisão dos professores foi aprovada pela Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (**Adusp**), mas ainda depende de votações isoladas em cada instituto da universidade.
A greve dos professores busca também avançar em propostas apresentadas pelos estudantes, como o aumento do valor do Programa de Assistência ao Profissional da Educação Física (**PAPFE**) e a reorganização do semestre acadêmico diante dos impactos da paralisação. Além disso, os educadores criticam a falta de diálogo da reitoria com as reivindicações dos estudantes e exigem a apuração de responsabilidades pela ação da Polícia Militar durante a desocupação da reitoria da USP. A categoria busca reajuste salarial correspondente à inflação anual medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (**IPCA**), acrescido de 3%, como parte do processo de recuperação das perdas históricas acumuladas pelos trabalhadores das universidades estaduais paulistas.
Os alunos da USP reivindicicam melhores condições para o desenvolvimento de suas atividades acadêmicas, o que passa necessariamente pela melhoria das condições de trabalho dos professores e demais funcionários. A adesão à greve por parte dos docentes ocorre após cinco semanas de paralisação dos estudantes, que buscam pressionar a administração da universidade a atender suas demandas. A expectativa é de que as negociações entre o Cruesp, a reitoria da USP e os representantes dos docentes e discentes possam avançar e encontrar uma solução para a crise instalada na universidade.
A greve dos professores da USP reflete um movimento mais amplo no setor educacional, que busca valorizar a carreira dos docentes e melhorar as condições de trabalho e estudo nas universidades estaduais paulistas. O Cruesp e a reitoria da USP terão agora que negociar com os docentes e discentes para encontrar uma solução para a crise. A Adusp reafirmou seu compromisso com o diálogo democrático e a livre organização política, além de defender a não criminalização e punição dos estudantes mobilizados.