A animação francesa “Arco” está atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros e concorre ao Oscar 2026. O filme, que se destaca como uma produção independente, já é considerado um sucesso por estar em cartaz em um cenário em que as superproduções de estúdios consolidados geralmente dominam a publicidade e as salas de cinema. “Arco” foi indicado ao Oscar 2026 e também foi eleito como Melhor Animação Independente no Annie Awards 2026, premiação que é considerada o “Oscar” da animação.
A direção de “Arco” apresenta uma história que parte de um conceito simples: um garoto de dez anos, vindo de um futuro distante, perde o controle em seu primeiro voo com um traje multicolorido e cai no passado. Ele é resgatado por Iris, uma menina de 2075, que tenta ajudá-lo a retornar ao seu tempo. O roteiro surpreende ao transformar a viagem temporal em ponto de partida para uma narrativa sobre afeto, responsabilidade e legado. A fotografia do filme apresenta um traço delicado e um ritmo contemplativo que evocam o espírito do Studio Ghibli. A influência de Hayao Miyazaki, diretor de “A Viagem de Chihiro”, é perceptível no fascínio pelo céu e na maneira como a fantasia convive com dilemas concretos.
O filme encontra sua identidade própria ao inverter expectativas, mostrando que o passado carrega as cicatrizes ambientais e sociais, enquanto o futuro surge como um espaço onde tecnologia e natureza aprenderam a coexistir. A distopia não está adiante, e essa escolha narrativa desloca a culpa para o presente e transforma o amanhã em possibilidade de reparação. Outro acerto do filme é a ausência de um vilão tradicional, o que permite que a trama se desenvolva de forma mais complexa e interessante. A equipe por trás do filme conseguiu criar uma história que é ao mesmo tempo uma aventura sci-fi juvenil e uma reflexão sobre temas importantes.
Em uma temporada em que as superproduções não foram muito memoráveis, “Arco” se destaca como uma opção refrescante e criativa. Com sua história única e sua estética visual atraente, o filme é uma prova de que a animação independente merece mais visibilidade e reconhecimento. Além de “Arco”, outras animações independentes, como “Guerreiras do K-Pop”, também têm se destacado em premiações e no público. Esses filmes mostram que a energia criativa da animação contemporânea pode ser encontrada em produções menores, mas com grande ambição estética e temática.
